Descrição do projeto

A cada vez que a gente senta para descrever o projeto, consegue explicar um pouco melhor a ideia. Segue a versão mais recente:

TransforMatéria

Felipe Fonseca, Carolina Striemer + equipe Transformatório Ubalab

TransforMatéria é uma investigação conceitual e estética que busca ampliar o universo de referências da chamada cultura maker a partir de dois deslocamentos – um deles histórico, ao relacionar as tecnologias e metodologias de fabricação digital com ofícios tradicionais ligados ao conserto e à produção artesanal; e um deslocamento lateral, encontrando similaridades e questões comuns entre o movimento maker e diversas iniciativas contemporâneas como os repair cafes, o upcycling, a customização e adaptação de objetos, ou mesmo campos como a ciência cidadã, a permacultura, o slow food e a alimentação orgânica, entre outros.

O projeto consiste em uma pesquisa de campo desenvolvida por Felipe Fonseca e Carolina Striemer sobre estas questões, sob diversos recortes e perspectivas: do artista autônomo, do coletivo ativista e da pesquisa científica; do Brasil, da França e da Alemanha; da teoria crítica, das habilidades manuais e materiais e do saber das ferramentas.

Fruto de parceria com diferentes contextos institucionais, o projeto TransforMatéria transcorrerá entre os meses de setembro e dezembro de 2016. Durante este período, serão desenvolvidas tanto reflexão teórica quanto criações materiais, incorporando questões relacionadas ao descarte, reuso, habilidades manuais e possibilidades digitais.

O objetivo de fundo do projeto é ajudar a construir um conjunto de referências, um vocabulário e uma rede de relacionamentos que sirva de base para a elaboração e futura implementação do Transformatório Ubalab – iniciativa ainda em gestação que pretende aproximar de maneira efetiva o universo da fabricação digital dos ofícios e habilidades de sapateiros, marceneiros, joalheiros, serralheiros, bicicleteiros, chefs de comida orgânica, luthiers, costureiras, alfaiates, agricultores urbanos, entre outros; além de compor uma rede brasileira e internacional de iniciativas semelhantes.

Etapas

  1. 1 a 4 de setembro – participação na conferência “Science + technology by other means”, em Barcelona (Espanha). Felipe apresentará na conferência um paper sobre a Plataforma Ciência Aberta Ubatuba, com apoio de IBICT e OCSDNet. Participará também de ao menos duas mesas em que se propõe uma leitura crítica da cultura maker, compostas por pesquisadores reconhecidos.
  2. 7 a 25 de setembroresidência artística e de pesquisa junto ao laboratório de mídias PiNG e ao Fablab Plateforme C, em Nantes. Felipe e Carolina vão desenvolver a observação de atividades e iniciativas locais, bem como a participação em três eventos: (s)lowtech, open atelier e ceci n’est pas un déchet.
  3. 01 de outubro a 3 de novembro – imersão em uma universidade alemã, a ser divulgada brevemente. Felipe será um pesquisador convidado trabalhando temas ligados ao design e ao conserto. Durante este período, vão também visitar pessoas e iniciativas relevantes para a pesquisa, em diferentes localidades da Alemanha.
  4. 5 a 20 de novembro – retorno ao Brasil e compilação do material e criações resultantes da pesquisa para apresentação em evento transdisciplinar em Ubatuba (nome e data ainda a confirmar).
  5. 12 de novembro – apresentação da pesquisa (remotamente, pela internet) no evento Maker Assembly, em Manchester. Felipe fará parte do painel Learning from International Maker Cultures.
  6. dezembro – edição dos produtos finais da pesquisa e alinhamento com projeto Transformatório Ubalab.

Equipe

Felipe Fonseca é pesquisador e ativista de mídias com vasta experiência na apropriação crítica de tecnologias da informação. Foi fundador das redes MetaReciclagem e Bricolabs, dos coletivos Lixo Eletrônico, Desvio e Mutirão da Gambiarra. Coordena o núcleo Ubalab, o espaço colaborativo Ninho e a rádio cultural comunitária Gaivota FM. Autor do livro “Laboratórios do Pós-Digital” e do artigo “Gambiarra: Repair Culture”.

Carolina Striemer é designer, joalheira artística e artesã trabalhando com diversos tipos de suportes e materiais. Integra o grupo de trabalhos manuais da Escola Waldorf Jardim Primavera.

O casal e suas duas crianças vivem em Ubatuba, litoral norte de São Paulo.

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