Em Nantes

Já estamos há uma semana em Nantes, na França. Levamos alguns dias para acertar os ponteiros, por isso a falta de notícias aqui no blog. Estamos em um apartamento da prefeitura que é disponibilizado para pesquisadores e artistas convidados de organizações locais como, no nosso caso, o PiNG. O apartamento é bem espaçoso, tem cozinha e banheiro, mas não tem internet. Então demoramos um pouco mais para nos orientar na vizinhança. Descobrir supermercado, padaria, lavanderia e outros serviços cotidianos é bem mais complicado sem acesso à rede. Usualmente a gente perguntaria em volta. Mas por aqui a vizinhança é bem segregada – não consegui entender se uma característica do bairro, da cidade, do país ou simplesmente um retrato do momento atual na Europa. Assim, ainda não conseguimos nos relacionar muito no condomínio – um pouco pior por causa do nosso parco domínio do idioma. Os playgrounds do entorno, que naturalmente pareciam ser um caminho para estabelecer um primeiro contato com outras famílias – a troca de sorrisos com crianças e pais/mães tem usualmente diversas funções -, ainda não resultaram em muita coisa. Mesmo a resposta a um “bom dia” é dada de cara fechada ou gestualidade pouco convidativa. “Pessoas que não sorriem”, como percebeu a Carol. Mas tranquilo, nossos amigos por aqui têm sido bem hospitaleiros e aos poucos acabamos conhecendo o bairro (e sim, agora temos internet nos telefones e uma conexão via 4G compartilhada para meu computador onde digito estas linhas).

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Como parte da residência, tenho frequentado os dois espaços administrados pelo PiNG. A oficina mais antiga no Breil onde desenvolvem encontros abertos, com foco especial no conserto de equipamentos, e o fablab Plateforme C, que tem um modelo misto – com um grupo de associados e uma parceria com diversas escolas e faculdades locais. Conversei com bastante gente, não de forma tão estruturada como entrevistas mas deixando fluir. Tenho feito muitas anotações (como também fiz durante a conferência em Barcelona, por sinal). Meu plano é trabalhar nisso tudo ao longo das próximas semanas, juntando essas anotações e as referências que tenho coletado e observando se surge algo coerente. Vou também tentar um mergulho acelerado em trechos d’O Artífice (Richard Sennett), e aprofundar a leitura do Hail the Maintainers (Russell + Vinsel), e em algumas perspectivas críticas sobre a tal “economia circular” a partir de conversas com parceiros daqui e dali.

Em paralelo, surgiu uma brincadeira mais concreta junto com a Carol, a partir da nossa novela em busca de bicicletas que funcionem razoavelmente para uma família inteira. Vou acabar contando isso em outro post porque a história é longa, mas por aqui já deixo anotado que vou encontrando temas em comum entre Ubatuba e Nantes para pensar em mais colaborações futuras. Bicicletas, mar e consertos parecem ser um dos temas com maior potencial.img_20160908_164619800

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