Curso TransforMatéria – dia 3, final

A última parte do curso TransforMatéria em Santos aconteceu em uma tarde de sábado. A Unimonte estava menos movimentada, mas ainda assim me surpreendi ao ver muitos estudantes no local. Nos reunimos inicialmente no café, e entramos para o Dínamo.

A ideia para esta última etapa era retornar ao makerspace depois de ter feito a saída a campo. Como já relatei, o plano inicial de visitar um ferro-velho acabou se modificando por conta de algumas variáveis fora de nosso controle. Ainda assim, conseguimos garimpar algumas coisas – um pedaço de eucatex, uma folha de fórmica ainda com o adesivo de proteção, dois carreteis de cabos, e por aí vai. O pessoal que participava do curso também havia trazido algumas coisas: um monte de amostras de produtos importados da china (lantejoulas, botões, apliques de brilhos e coisas parecidas); uma sacola com resíduos coletados na beira da praia, principalmente cacos de louça e vidro; um pedaço de madeira que seria futuramente transformado em quilha de prancha de surf.

Nem pensamos em usar as impressoras 3D – tanto pelas características do que imaginamos fazer, quanto pelo tempo relativamente curto que teríamos para colocar em prática as ideias que surgiram.

Para dar um uso aos carreteis de cabos, o pessoal recorreu ao outro makerspace da Unimonte, que conta com equipamentos e ferramentas mais pesados. Acabaram juntando os ferros de dois carreteis para reforçar um deles, transformando-o em um banquinho que ao fim da tarde deixamos na rua, em frente à Universidade.

Ao mesmo tempo, estávamos trabalhando com os cacos de louça. Dispusemos eles sobre o eucatex em uma das bancadas, e encontramos algumas formas interessantes. Decidimos então usar a cortadora laser para cortar molduras em formato de peixes para encaixar os cacos, e com elas montar quadros que evocassem toda a questão do lixo trazido pelo mar. Para isso, decidimos o desenho com os próprios cacos, fotografamos, vetorizamos no inkscape e enviamos para recortar o eucatex na laser. O processo foi muito rápido, contando com o apoio operacional do Caio e também com a relativa facilidade que é lidar com gráficos vetoriais em duas dimensões, em comparação à modelagem 3D. Depois de cortada a placa de eucatex, encaixamos os cacos e ainda usamos um pouco das lantejoulas para decorar os quadros. Decidimos usar a placa de fórmica somente como suporte, por não encontrarmos informação precisa acerca da composição dela. Segundo Caio, procura-se evitar o uso de materiais que exalem alguns tipos de gases ao cortar, para evitar danos ao equipamento.

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Por fim, trabalhamos também com a madeira trazida pelo Beto Versa – um pedaço de caixeta que ele ganhou de presente. Fizemos a toque de caixa um rascunho de logomarca para a Wood Fins, e ele pediu ao Caio para utilizar um grafismo que havia visto ali no lab, em outro material. Usamos a laser para gravar o desenho na madeira, que o Beto utilizaria posteriormente para fazer um par de quilhas. Espero que ele envie uma foto do produto acabado.

Ainda aproveitei os minutos finais da tarde antes de encerrar as atividades para pedir ao Caio que fizesse mais uma gravação, que tem a ver com um projeto que começamos ano passado na França. Espero retornar a este blog pra contar mais sobre isso, em breve.

Ao fim do curso, fiquei bastante satisfeito pela oportunidade. Havia pouca gente participando, é verdade, mas talvez fosse equivocado esperar algo diferente de um curso tão intenso – 20h em três dias. Por outro lado, a própria realização do curso ofereceu-me a motivação para organizar melhor as ideias sobre as quais venho tratando aqui desde o segundo semestre do ano passado.

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Além disso, a saída a campo e o posterior retorno ao makerspace foram muito positivos para ter essa experiência da cidade como um grande e complexo equipamento de produção e circulação de matéria; e ainda para colocar finalmente em prática algumas reflexões já antigas sobre as possibilidades de utilização dos equipamentos de fabricação também para o reuso, a gambiarra e os consertos. Agradeço mais uma vez ao Instituto Procomum pelo convite e ao Dínamo pela hospitalidade.

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