Tropicalizar a cultura maker

De um brainstorm por email, digitando em um avião:

Tropicalizar a cultura maker. O Brasil nunca foi uma economia industrial democrática moderna plenamente desenvolvida. As crises econômicas, a instabilidade das estruturas institucionais políticas, a desigualdade sempre nos obrigaram a exercer cotidianamente a criatividade material. Gambiarra, jeitinho, mutirões. A manha de operação, a arquitetura orgânica do barraco, os catadores, os consertos para reuso. As peças “recondicionadas”, os equipamentos “remanufaturados”. Retífica de motores, enrolar bobinas na mão, consertar com clipes, caneta bic e fita isolante. Usinar peças de reposição, fixar com arame, refazer com “massa”, reutilizar com durepoxi. A oficina que algum parente sempre tem nos fundos de casa ou na garagem: bancada, morsa, furadeira. A extensão com um soquete na ponta. A destreza com ferramentas: o alicate, a chave de fenda, o martelo, o formão, a plaina, a lima e a lixa, o arco de serra, o serrote. A habilidade com equipamentos: a furadeira e a parafusadeira, a lixadeira, a serra de mármore e a serra circular, a topia, a tico-tico.

 

Curso TransforMatéria: Cultura maker na cidade

17457937_1649569915349995_3495424835290310721_nEstou empolgado preparando o programa do curso que fui convidado a ministrar semana que vem no Lab Santista organizado pelo Instituto Procomum. Vai ser uma maneira de organizar e visualizar de maneira mais concreta algumas reflexões desenvolvidas ao longo do ano passado no projeto TransforMatéria e neste blog.

Essa movimentação também está me dando energia para voltar a escrever – contando outras etapas da nossa viagem do ano passado, e também preparando um guia sobre cultura maker nas cidades, em que estou trabalhando junto com o Olabi, do Rio.